Seu cérebro pode não descansar no fim de semana e esse hábito pode explicar o cansaço na segunda-feira

Psicólogo explica por que maratonar séries, usar redes sociais e responder mensagens de trabalho mantêm a mente em alerta, mesmo nos momentos de folga.

8/4/20262 min leer

Após uma semana intensa de trabalho e compromissos, muita gente espera que o fim de semana seja suficiente para recuperar as energias. No entanto, hábitos comuns de lazer, como maratonar séries, passar horas nas redes sociais ou até responder mensagens do trabalho, podem impedir que o cérebro descanse de verdade.

Segundo o psicólogo Filipe Colombini, CEO da Equipe AT, existe uma diferença importante entre distração e descanso. Embora essas atividades sejam prazerosas, elas continuam exigindo atenção, processamento de informações e tomada de decisões, mantendo a mente em constante atividade.

"Muitas vezes confundimos distração com descanso. Embora algumas atividades sejam prazerosas, elas continuam exigindo processamento de informações, tomada de decisões e contato constante com estímulos. Isso faz com que o cérebro processe informações sem parar, dificultando uma recuperação efetiva", explica o especialista.

O lazer também pode cansar

Assistir a vários episódios de uma série, alternar entre diferentes aplicativos, acompanhar notificações o tempo todo ou permanecer disponível para demandas profissionais são comportamentos que prolongam o estado de alerta do cérebro, mesmo fora do expediente.

Para Colombini, o problema não está em realizar essas atividades ocasionalmente, mas em nunca permitir momentos reais de desconexão.

"O cérebro precisa de períodos em que não esteja respondendo a demandas o tempo todo. Quando permanecemos conectados sem pausa, consumindo informações ou resolvendo pendências, o organismo continua em estado de alerta, mesmo que estejamos fora do ambiente de trabalho", afirma.

Segundo ele, essa dificuldade para desacelerar faz com que muitas pessoas iniciem uma nova semana já cansadas, sem a sensação de recuperação que o período de descanso deveria proporcionar.

O impacto da hiperconectividade

A presença constante dos smartphones e das redes sociais tornou cada vez mais difícil encontrar momentos de pausa. O excesso de estímulos mantém o cérebro ativo durante praticamente todo o dia e pode favorecer sintomas como fadiga mental, dificuldade de concentração, irritabilidade e sensação persistente de esgotamento.

"O descanso é essencial para a recuperação. Ele não acontece apenas porque paramos de trabalhar. É preciso criar espaço para que a mente respire, um tempo em que ela possa desacelerar, digerir as experiências do dia, organizar os pensamentos e recuperar as energias emocionais e mentais", destaca Colombini.

Descansar também é uma habilidade

Para muitas pessoas, desacelerar ainda provoca culpa ou a sensação de improdutividade. O psicólogo explica que aprender a descansar exige uma mudança de comportamento e uma relação mais consciente com o tempo livre.

O primeiro passo é entender que descanso não significa apenas interromper as atividades profissionais, mas criar momentos em que a mente realmente possa se recuperar, longe da necessidade constante de responder estímulos.

"Aprender a descansar de verdade é um exercício que exige consciência e prática. Pausar sem culpa pode parecer difícil para muita gente, mas é justamente nessas pausas que o corpo e a mente encontram o equilíbrio necessário para seguir em frente. Cuidar do descanso é, também, uma forma de cuidar de si", conclui Filipe Colombini.